Cap. 14 COMPORTAMENTO ANORMAL
OBJETIVOS
Aps estudar o presente captulo voc dever ser capaz de:
 conceituar psicopatologia;
 caracterizar as perturbaes transitrias e situacionais;
 caracterizar o comportamento neurtico;
 caracterizar o comportamento psictico;
 traar um paralelo entre neurose e psicose;
 exemplificar uma das reaes neurticas;
 distinguir as psicoses funcionais das psicoses orgnicas;
 conceituar psicoterapia e citar os principais enfoques psicoterpicos.
PSICOPATOLOGIA
A psicopatologia  o ramo da Psicologia que se ocupa dos fenmenos psquicos patolgicos 
e da personalidade desajustada. A psicopatologia estuda o comportamento anormal, sua 
gnese, sistomas, dinmica e as possveis terapias.
H muitas manifestaes psicopatolgicas. H uma certa unanimidade, mas n se observa 
uma nica nomenclatura no diagnstico e trata mento dos desequilbrios psquicos.
Abordaremos aqui apenas trs tipos de reaes anormais: as perturbaes transitrias e 
situacionais, as perturbaes neurticas e as perturbaes psicticas.
PERTURBAOES TRANSITRIAS E SITUACIONAIS
Em geral ao falar-se de anormalidade as pessoas entendem algo dura douro, permanente. 
Uma situao insupervel ou que s pode ser supe 
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rada aps um longo tratamento psicoterpico. De fato as neuroses e psicoses se enquadram 
nesse conceito, elas no surgem e desaparecem de um momento para outro. Mas h 
perturbaes cuja durao  efmera, permanecem enquanto continuar a alterao 
ambiental que as provocou. o caso, como a prpria designao deixa implcito, das per 
turbaes transitrias e situacionais.
Qualquer um de ns, diante de situaes traumatizantes pode sofrer um colapso das defesas 
e ceder  tenso. O soldado que  enviado para a frente da batalha, a me que perde o 
esposo e os filhos numa catstro fe, a jovem que  estuprada, todos por mais normais que 
sejam, diante dessas situaes extremamente adversas podem no resistir  tenso e sofrer 
um desequilbrio. Esta perturbao, passada a causa provocadora, pode desaparecer por 
completo ou pode durar por mais tempo, necessitando o indivduo uma breve terapia para 
super-la.
Os sintomas apresentados nas perturbaes transitrias e situacionais so semelhantes aos 
sintomas neurticos e psicticos.
Apresentamos trs circunstncias que podem provocar perturbaes transitrias e 
situacionais: as guerras, as catstrofes civis e os ambientes com tenso crnica.
Reaes traumticas ao combate
A excessiva fadiga, a permanente ameaa de morte, a distncia de seu pas e de seus 
familiares so algumas circunstncias que levam os soldados  reaes traumticas.
Os sintoma mais freqentes so: desnimo, distrao, supersensibilidade, perturbaes do 
sono, temores e fobias.
Cada dia o soldado enfrenta o inesperado, nada  previsvel. Ele  obrigado a matar. Mesmo 
tratando-se de supostos inimigos, ele est matando seres humanos, jovens como ele, pais 
de famlia ... E enquanto ele mata, seus amigos tambm morrem, vo tombando um a um. E 
ele vai assistindo a tudo, resistindo como um forte, mas pode chegar o momento em que o 
peso de tudo isto seja insuportvel.
Reaes  catstrofes civis
Freqentemente ocorrem acidentes automobilsticos, quedas de avio, exploses, incndios, 
vendavais, terremotos e assaltos. Tudo isso pode se constituir em situao traumtica 
provocadora de desequilbrios. Outras situaes que no as catstrofes civis podem 
provocar igual terror e choque em suas vtimas. Por exemplo: assalto sexual, grandes 
perdas econmicas, morte de um ente querido. Por serem extrema mente traumatizantes, 
estas experincias geram descompensao do ego, levando a um estado de desequilbrio 
mais ou menos grave, dependendo das circunstncias provocadoras e da personalidade da 
vtima.
Os principais sintomas so: estado de choque, ansiedade, tenso muscular, irritabilidade, 
medo, pnico e apatia. Mais tarde, durante o perodo de recuperao podem surgir os 
pesadelos, as fobias, os senti mentos de culpa e at a depresso profunda.
Reao  tenso crnica de situao
At agora apresentamos situaes agudas de tenso. Porm h perturbaes transitrias e 
situacionais provocadas por situaes de tenso crnica. A tenso crnica existe quando o 
indivduo permanece por longo tempo num ambiente em que se sente inseguro, insatisfeito, 
hostilizado, ameaado, inadequado. Poderiam servir de exemplo: o marido que no se sente 
bem com seu casamento, o funcionrio que odeia seu trabalho, o jovem que se considera 
oprimido pelo autoritarismo ou superproteo dos pais, o estudante decepcionado com a 
carreira escolhi da, o velho que se v abandonado por todos, a criana rejeitada pelos pais.
A forma de reagir  tenso crnica do ambiente varia de acordo com a idade e a 
personalidade de cada um. A criana rejeitada pode se mostrar muito manhosa, o 
adolescente talvez escolha o caminho da rebeldia ou hostilidade, o adulto passa a sentir 
fadiga crnica, o velho seja mais impertinente do que o normal.
NEUROSES
Toda generalizao pode conter erros, mas comumente o neurtico:
 mostra perturbaes cognitivas e emocionais menos severas;
 raramente deixa de estar voltado para seu ambiente; continua mais ou menos em contato 
com a realidade;
 tem alguma compreenso da natureza do seu comportamento;
 dificilmente se comporta de maneira perigosa para si ou para os outros,
 raramente exige hospitalizao
Sendo a neurose fenmeno da vida humana, no devemos admirar seja complexa, como 
qualquer fato vital.
Segundo Freud, deve-se procurar a causa das neuroses na represso do impulsO instintivo 
(libido) por parte do ego consciente. A-
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dler v a causa das neuroses na inferioridade orgnica. Jung as explica como expresso de 
gosto ou preconceito da integridade da personalidade que rene em si as antteses. Para 
Kunkel as neuroses derivam da atitude egosta do homem que foge e desanima diante das 
responsabilidades. Speer coloca-as numa elaborao defeituosa da experincia. Ringel 
aponta a essncia das neuroses no conflito psquico entre tendncias conscientes e 
inconscientes. Niedermeyer e Caruso, talvez por motivo da variedade co conceito de 
neurose, abstm-se, propositalmente, de definir-lhe a essncia.
De tal disparidade de pontos de vista, por parte de mdicos, psiquiatras e psiclogos 
insignes, resulta que seria pelo menos imprudente quem pretendesse reivindicar hoje como 
verdadeira a prpria e somente a prpria definio da essncia das neuroses.
No entanto, preferimos a definio dada por S. H. Frazier e A
C. Carr: Neurose  uma alterao na qual permanece relativamente intacta a apreciao da 
realidade.
Passemos agora a analisar as principais reaes neurticas.
Reao de Ansiedade
O paciente  tomado por sentimentos generalizados e persistentes de intensa angstia sem 
causa objetiva. Pode ser considerada um fracas so parcial das defesas do indivduo. Alguns 
sintomas somticos, ocasionalmente, podem se manifestar, tais como: palpitaes do 
corao, tre mores, falta de ar, suor, nuseas. H uma exagerada e ansiosa preocupao por 
si mesmo. A ansiedade pode no estar circunscrita a objetos ou situaes especficas.
Reao Fbica
Como o termo est a indicar, refere-se ao medo, medo patolgico. Medo excessivo e 
infundado, especfico e anormal em relao a algum objeto, condio, situao ou ato. A 
fobia  um temor persistente relacionado com um objeto ou situao que objetivamente no 
 fonte de perigo. A pessoa fbica considera geralmente inexplicvel seus temores e todavia 
experimenta uma forte angstia diante da situao fbica.
Com freqncia nas reaes fbicas aparecem as reaes fisiolgicas comuns  angstia: 
transpirao, tremor, respirao acelerada, diarria, vmitos, opresso do peito, 
taquicardia e conseqente aumento da freqncia do pulso. Teoricamente, qualquer 
situao ou objeto pode ser o centro de uma fobia. Os mais comuns so as alturas, os 
espaos fechados, os subterrneos, os elevadores, a sujeira, os germes, os luga 
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res abertos, a gua, as multides, as pessoas estranhas, os animais e a escurido.
A fobia data, muitas vezes, de uma situao crtica, produtora de intenso medo, que 
ocorreu nos primeiros anos da infncia. Esta situao foi subseqentemente esquecida ou 
reprimida, e a sua recordao provocaria sentimentos de culpa ou ansiedade (Edwards, 
1973, p. 35).
Alguns exemplos de fobias: agorafobia (medo de lugares abertos ou pblicos), batofobia 
(medo das profundidadeS) claustrofobia (medo de lugares fechados), demofobia (medo das 
multides), hidrofobia (medo da gua), patofobia (medo de doena), tanatofobia (medo da 
morte), etc.
Reao de Converso
Nesta reao neurtica o paciente sente perturbaeS fsicas que tm uma base psicolgica. 
Estas perturbaeS podem ser sensoriaiS ou motoraS. Sensoriais insensibilidade de uma 
rea do corpo, por exemplo, rea coberta por uma meia. Surdez funcional, parcial ou total. 
Motoras:
paralisia funcional envolvendo um ou vrios membros do corpo, mutis mo, que  a 
incapacidade total de falar, tremores, tiques.
Reao ObsessivO
A obsesso  uma idia que constantemente se infiltra nos pensa mentos de uma pessoa. A 
compulso  um ato que se introduz no comportamento. A obsesso  um pensamento ou 
idia fixa que ingressa na conscincia sem o controle da vontade. A compulso  o ato. As 
obsesses (idias) e as compulses (atos) geralmente coexistem, de maneira que nem 
sempre se consegue fazer a diferenciao e ambos integram o sndrome obsessivo. As 
reaes obsessivo-compulsivo caracterizam-se por pensamentos obsessivos e inevitveis, 
freqentemente desagradveis e importunoS para a pessoa, e por atos compulsivos 
irracionais, que decorrem de impulsos indesejveis (Krech e Crutch field, 1971, p. 348). 
Exemplos de cada dia podem ser a cano que se gravou na mente e no nos deixa em paz, 
ou a compulsO de retornar para casa para constatar se a porta est bem fechada quando 
no existe base real para esperar outra coisa. Quando as obsesses e as compulses 
alcanam um nvel de gravidade neurtica, refletem muitas vezes tendncias em conflito 
dentro da pessoa.
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PSICOSES
Para as casos de comportamento psictico podemos fazer as seguintes generalizaes:
 o psictico mostra perturbaes cognitivas e emocionais muitos graves;
 pode sofrer alucinaes e delrios;
tende a perder a compreenso de seu comportamento;
 pode estar completamente desorientado em seu ambiente;
 geralmente perde o contato com a realidade;
 pode envolver-se em aes extremamente afastadas da realidade e s vezes perigosas;
 em geral  t incapaz de comportamento social adequado que exige hospitalizao 
temporria (Krech e Crutchfieid 1971, p. 347).
A psicose  uma forma extrema de desorganizaco da personalidade. A pessoa psictica 
tpica tem delrios e alucinaes. Falta-lhe o discernimento da natureza do seu estado, 
sente-se desorientada quanto ao tempo, ao lugar e  pessoa e requer constante superviso ou 
internamento numa instituio adequada (Telford e Sawrey, 1973, p. 471).
A psicose  uma grave alterao da funo psicolgica com def i cincia na faculdade do 
indivduo para distinguir, avaliar e apreciar a realidade (Frazier e Carr, 1973, p. 143).
Na neurose a perturbao  insuficiente para alterar muito ostensivamente o funcionamento 
da personalidade
Na psicose a prpria personalidade  afetada, de maneira manifesta, mais ou menos 
profundamente
As psicoses se dividem em duas categorias:
a) psicoses psicognicas ou funcionais;
b) psicoses orgnicas.
Trataremos, aqui, ainda que sucintamente, das principais psicoses psicognicas e orgnicas.
Psicoses Psicognicas ou Funcionais
Esquizofrenia
A esquizofrenia  uma psicose grave na qual a perturbao principal se reflete numa 
alterao do juzo e dos processos de pensamento. A esquizofrenia  uma desorganizao 
da personalidade de carter grave, s vezes com manifestao de sintomas psicticos, 
afirmada sobre um defeito bsico na interpretao da realidade que s se descobre
com grande perspiccia. As caractersticas tpicas so: grande distoro nos processos do 
pensamento; alteraes do afeto; alteraes dos limites do ego; dificuldades nas relaes 
pessoais. (Frazier e Carr, 1973, p. 117). Um dos sinais que por tradio se considera 
patognomnico da esquizofrenia  o transtorno e dissociao dos processos do pensamento. 
De nada servem as regras habituais da lgica. Quase 50% dos enfermos que se encontram 
nos sanatrios so esquizofrnicos.
Em funo dos sintomas encontramos quatro tipos ou variedades de esquizofrenia.
Esquizofrenia simples: Caracteriza-se por uma apatia emocional, uma completa carncia de 
ambies, exibe uma desorganizao geral da personalidade que se caracteriza por uma 
perda gradual de interes se na vida, nas realizaes pessoais e na participao social. Em 
alguns casos, a indiferena e a irresponsabilidade conduzem a conflitos com a lei. O 
comeo deste tipo de alterao aparece com freqncia na adolescncia, no momento em 
que o indivduo se enfrenta com a necessidade de efetuar a transio da infncia  
adaptao social e heretossexual da vida adulta, com a responsabilidade que a mesma 
supe.
Esquizofrenia hebefrnica: Caracteriza-se por aes e linguagem caticas. Pensamento 
desorganizado, afeto superficial e inapropriado, riso inslito conduta e maneiras tontas e 
regressivas (meneirismo), freqentes queixas hipocondracas, delrios e alucinaes 
transitrias e pouco organizados. O paciente manifesta uma desorganizao de senti mento, 
isto ,  capaz de alegrar-se com a morte de um familiar e entristecer-se quando lhe dizem 
que goza de boa sade.
Esquizofrenia catatnica: Caracteriza-se por um comportamento marcadamente inativo. O 
paciente pode adotar posies corporais fixas por longos perodos de tempo. So posies 
normalmente estranhas e incomuns. Na mania catatnica, o paciente representa um perigo 
real para si prprio e para os outros, enquanto que na acentuada depresso motora talvez 
conserve a mais absoluta imobilidade, recusando-se a comer ou executar os atos mais 
simples do corpo, necessrios  sobre vivncia dos organismos (Edwards, 1973, p. 355). 
Esquizofrenia cata- tnica com excitao: atividade motora excessiva, s vezes violenta. 
Esquizofrenia catatnica com retraimento: inibio generalizada, estupor, mutismo, 
negativismo.
Esquizofrenia paranide: Caracteriza-se por notveis deI (ns de perseguio ou de 
grandeza, geralmente associados com alucinaes. Com freqncia: hostilidade e agresso 
e uso de mecanismos de projeo.
Resumindo: A esquizofrenia simples  mais fcil de descrever do que os outros tipos, de 
vez que no tem um conjunto bem definido de
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Paran ia
caractersticas. A esquizofrenia hebefrnica  caracterizada por bobice e infantilidade do 
pensamento e da ao. A esquizofrenia catatnica  caracterizada ou pelo estupor e rigidez 
muscular ou o extremo oposto de excitamento e atividade frentica. A 
esquizofreniaparania manifes ta-se atravs de dei (rios e alucinaes e, freqentemente, de 
sentimentos de hostilidade.
Psicose Man iaco-Depressiva
Atualmente, porque no passado n foi assim, o termo manaco- depressivo deve empregar-se 
com referncia a uma pessoa que padeceu um ou vrios episdios de depresso ou mania 
sem causa aparente. A psicose manaco-depressiva est em segundo lugar, entre as 
psicoses funcionais mais comuns. E responsvel por cerca de 10% das admisses em 
hospitais de doenas mentais. O termo manaco-depressiva foi introduzido por Kraepelin, 
que observou que perodos alternados de elao e de depresso podem ocorrer no mesmo 
indivduo, ainda que muitos pacientes mostrem apenas uma forma. O estado manaco pode 
ser leve ou agudo.  assinalado por atividade e excitamento. Os mana cos s cheios de 
energia, inquietos, barulhentos, faladores e tm idias bizarras, uma aps a outra. Nos casos 
hiperagudos, os pacientes se tor nam selvagens, delirantes e completamente impossveis de 
manejar. O estado depressivo, ao contrrio,  caracterizado por inatividade e desa lento, 
muitas vezes com sentimentos de culpa e preocupao com a morte (Sargent e Stafford, 
1969, p. 232).
Muitas vezes s o aspecto exterior dos depressivos j nos indica al go. Seu semblante  
triste, como se estivessem mergulhados em si mes mos. Parece que choram sem derramar 
lgrimas. O enfermo est quieto, abatido. Seus movimentos so inseguros e torpes, parece 
como se n se atrevesse a pisar ou assentar-se. Fala pouco e quando o faz  com voz baixa e 
montona. Procura n encontrar-se com seus amigos e os evita na rua. Veste com descuido e 
negligncia. N expressa suas opinies. Os enfermos se consideram perdidos e crem que 
ningum poder compreend-los e muito menos ajud-los. Repentinamente se tiram a vida, 
sem que a seu deredor algum suspeite os motivos. Os depressivos o so tudo, menos 
teatrais. Ao contrrio, seu sintoma fundamental  o abatimento angustioso, que o perito 
diagnostica sem equivocar-se. O depressivo autntico est sempre em perigo de um 
suicdio. A experincia demonstra como  difcil para um leigo aceitar isto.
A parania  uma psicose caracterizada sobretudo por iluses fixas.  um sistema delirante 
durvel. As iluses de perseguio e grandeza so mais duradouras e mais sistematizadas 
do que na esquizofrenia paranide. Os ressentimentos so profundos e o paranicO procura 
agredir aqueles que estiveram presentes em seus conflitos.  um tipo perigoso para a 
sociedade: egocntrico e destruidor, conhece seus inimigos e julga que sua grandeza 
depende da eliminao de pessoas que o prejudicam. A verdadeira parania  
relativamente rara, sendo responsvel por apenas cerca de 2% de casos em hospitais de 
doenas mentais. Antigamente, todos os pacientes que tinham delrios eram classificados 
como paranicOS; atualmente, os delrios so conhecidos como sendo comuns na 
esquizofrnia e em outros transtornos (Sargent e Stafford, 1969, p. 233).
O paranico  agressivo, mas n se d conta de sua agressividade; est sempre se 
defendendo e atribui motivos malvolos a quem no lhe aprecia; acredita que o fim justifica 
os meios,  incapaz de solicitar carinho, preocupado em defender seus direitos, no confia 
em ningum.
PSICOPATIA
O termo psicopatia se aplica aos indivduos de comportamento habitualmente anti-social, 
que se mostram sempre inquietos, incapazes de extrair algum ensinamento da experincia 
passada, nem dos castigos recebidos, assim como incapazes de mostrar verdadeira 
fidelidade a uma pessoa, a um grupo ou a um cdigo determinado. Costumam ser 
insensveis e de muito acentuada imaturidade emocional, carentes de responsabilidade e de 
juzo lcido e muito hbeis para racionalizar seu comportamento a fim de que parea 
correto, sensato e justificado.
O uso deste termo  difcil e na prtica pode ser substitudo por sociopata ou personalidade 
socioptica.
Traos mais significativos do psicopata: notvel inteligncia, inexistncia de alucinaes, 
ausncia de manifestaes neurticas, falta de confiana, falta de sentimentos de 
culpabilidade e de vergonha, conduta anti-social, egocentrismo patolgico, incapacidade 
para amar, perda especfica de intuio, irresponsabilidade nas relaes interpessoais, 
comportamento fantstico e pouco recomendvel com relao  bebida, ameaas de 
suicdio raramente cumpridas, vida sexual impessoal, trivial e pouco integrada, 
incapacidade de seguir qualquer plano de vida manipula os demais e os utiliza para 
satisfazer suas prprias conveni 
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ncias, hbil em simular estados emocionais quando cr que lhe vai ajudar a obter o que 
deseja, no experimenta nenhuma das manifestaes psicolgicas e fisiolgicas da 
ansiedade ou do medo, embora possa reagir de um modo parecido, quando seu bem-estar 
imediato est amea ado, as reaes e os castigos imaturos s contam para ele em abstrato, 
no exercem efeito algum em seu comportamento imediato, sua capacidade de 
discernimento  pobre e sua conduta constuma estar determinada por impulsos e por 
necessidades circunstanciais.
Alguns especialistas dividem os psicopatas em dois tipos: os agressivos-predadores e os 
passivos-parasitrios. Os primeiros so indivduos que satisfazem suas convenincias com 
acentuada agressividade e com uma atuao fria e insensvel, apropriando-se de quanto 
desejam. Os segundos so psicopatas que obtm o que querem praticando sobre os demais 
uma espcie de sangria parasitria que consiste em aparentar desamparo e necessidade de 
ajuda e de simpatia infantis.
A maior parte das descries de psicopatas aludem a seu acentuado egocentrismo, a sua 
falta de empatia, a sua incapacidade para travar relaes clidas e afetivas com os demais, 
so pessoas que no experimentam sentimentos de culpabilidade nem remorsos pelo que 
fizeram. A grande maioria dos autores concorda que as duas caractersticas principais da 
psicopatia so a incapacidade de amar e a falta do senti mento de culpabilidade.
Como so egocntricos e lhes falta a empatia, so incapazes de situar-se no lugar das 
demais pessoas, por isto eles manipulam as pessoas como se fossem objetos, satisfazendo 
deste modo seus desejos sem preocupar-se em absoluto pelos efeitos que seus atos possam 
ter.
Embora muitos psicopatas procedam de famlias divididas e pobres e tenham sido vtimas 
de alguma forma de abandono e de rechao pa ternos, uma das circunstncias mais 
determinantes das psicopatias dos adultos, parece ser a de terem tido um pai psicopata, 
alcolatra ou anti-social. Vrios cientistas pensam que o psicopata  patologicamente 
incapaz de interpretar um papel e que suas experincias infantis o leva ram a adquirir uma 
fachada social.
Psicoses Orgnicas
Abordamos aqui as psicoses orgnicas que tambm geram comporta mentos psicticos e 
estes esto ligados especificamente  deteriorao do crebro e do sistema nervoso.
Demncia Senil
A demncia senil no est vinculada a nenhuma idade determina da. A enfermidade comea 
em alguns aos 40 ou 50 anos e em outros aos 80. No  verdade que todo o mundo se torna 
demente senil ao alcanar certa idade. O sintoma principal dessa demncia, originada pelas 
alteraes que experimenta o crebro com a idade,  a perturbao da capacidade de 
fixao. Deve-se distinguir entre a memria para recor daes antigas e a fixao das 
impresses recentes.
Quando diminui a capacidade de fixao, o psiquismo permanece relativamente intacto. Os 
enfermos atuam ainda com vivacidade, com vontade de falar, porm no podem guardar em 
sua memria o que observam e esto desorientados. A medida que a enfermidade vai 
progredindo, o enfermo considera, por exemplo, as pessoas estranhas como velhos 
conhecidos, devido a que lhes falta a capacidade de re cordar. Esto desorientados em sua 
prpria casa, confundem as portas, esquecem tudo em seguida e enchem as lacunas de sua 
memria com fantasias, confabu laes, porque lhes resulta desagradvel reconhecer que 
perderam a recordao do que aconteceu num perodo de tempo. As recordaes com 
intensa carga efetiva guardam melhor, porm tam bm desaparecem pouco a pouco da 
memria. Mais tarde se transtor nam tambm a compreenso e o juzo. Os enfermos vivem 
s num pas sado longnquo. Podem dar com exatido detalhes assombrosos de sua infncia. 
Louvam o passado, ento tudo era formoso, muito melhor do que agora. Para os que os 
rodeiam  molesta sua loquacidade; pedan tes e obstinados, do toda classe de detalhes 
suprfluos, se perdem em insignificncias. Sua falta de vontade  o que prepara o terreno  
credu lidade. Ficam assim abertas todas as possibilidades para engan-los (herana).
Em seu estado de nimo notamos a falta de autntica fora afetiva. Quem convive com um 
demente senil tem que saber que muitas vezes eles so perigosos. Progressivamente vo 
perdendo o domnio de seus atos e se assemelham a crianas irresponsveis.
Psicose Alcolica
O uso excessivo de entorpecentes e lcool gera a chamada psicose alcolica (delirium 
tremens) que  habitualmente marcada por vio lenta intranquilidade, acompanhada de 
alucinaes de uma natureza aterradora (Edwrds, 1973, p. 356).
O crebro  o rgo que mais lcool recebe. Isto  devido ao fato de ter o encfalo grande 
quantidade de gua. Nas clulas nervosas,
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Terapia psicanaltica Freudiana:
esse txico ir perturbar os fenmenos oxidativos e alterar o ritmo de trabalho de todo o 
sistema. Conseqentemente, o pensamento e o comportamento se mostram com 
caractersticas anormais (Dorin, 1972, p. 303).
Arterioesclerose Cerebral
A arteriosclerose cerebral evolui de um modo semelhante  demncia senil. Ambas 
enfermidas podem encontrar-se no mesmo indivduo. Nesta, um tratamento psquico com 
habilidade  muito necessrio. Sua ao prolongar a vida do enfermo.
O endurecimento dos vasos cerebrais d lugar a transtornos de ir rigao sangnea, 
os,quais so causa de que partes isoladas do crebro estejam mal abastecidas de sangue. A 
conseqncia natural so os formi gamentos nos braos ou pernas, as par lises mais ou 
menos acentuadas, zumbidos nos ouvidos, transtornos da viso, perturbaes da linguagem 
em forma de dificuldade ou lentido da fala.
Estes enfermos so, para o expert, mais enfermos do crebro que enfermos mentais. Neles 
se observam quase sempre: dores de cabea, tonturas, dores na nuca, presso na fronte, 
desmaios, vertigens, suadores e alteraes no sono.
PSICOTERAPIA
Conceito
Terapia  o nome usado para qualquer tentativa de tratar de uma molstia ou perturbao. 
Quase todas as terapias para perturbaes do comportamento empregam tcnicas 
psicolgicas e, por isso, so cha madas depsicoterapias (Morgan, 1977, p. 246).
Psicoterapia  o conjunto de tcnicas de tratamento das perturba es de carter 
psicolgico, como a psicanlise (Freud), a learning the rapy (comportamentistas), a 
reflexologia (pavloviana) (Dorin, 1972, p. 274).
A psicoterapia visa  cura dos comportamentos anormais.
Enfoques Principais
Apresentamos, a seguir, as terapias mais importantes:
Freud comeou a trabalhar com um antigo colega, Josef Breuer, que havia desenvolvido 
um tratamento de falar. Breuer descobriu que um paciente era auxiliado, se encorajado, 
sob a hipnose, a verba lizar seus problemas emocionais. Breuer e Freud denominaram 
esta tcnica de catarse, porque parecia purgar o paciente de abafamen to ou de emoes 
reprimidas. Logo depois de publicarem um livro, em 1895, chamado de Studies in 
Hysteria, Breuer se afastou da parce ria, e Freud continuou, mas s.
Freud bem cedo abandonou a hipnose e se concentrou no mtodo verbal da associao 
livre. Dizia a seus pacientes para relaxarem, pensa reni a respeito de seus problemas e 
dizerem tudo o que lhes viesse  mente. Achou esta tcnica superior  hipnose, porque o 
paciente per maneceria num estado ativo, cooperativo, enquanto enfrentava as suas 
dificuldades.
A psicanlise freudiana  baseada em duas pressuposies ou teorias principais:
Primeiro, todo o acontecimento mental tem uma causa, presumivel mente os 
acontecimentos psquicos que o precederam. Os pensamentos e os sentimentos no ocorrem 
por nenhuma razo, como as pessoas freqentemente dizem. Este princpio de 
determinismo psquico est subjacente s investigaes de Freud sobre os sonhos, o 
esquecimento, os lapsos verbais e outras reas, previamente rejeitadas, como no ten do 
significao.
Segundo,a maior parte da vida mental  antes inconsciente do que consciente, ao contrrio 
da crena popular. Na verdade, de acordo com a psicanlise, as causas primrias do 
comportamento so comumente encontradas nas exigncias e impulsos do Id.
o tratamento psicanaltico pretende liberar a libido de suas fixaes imprprias e fortificar o 
Ego, at que o paciente possa enfrentar os seus problemas. O analista chega a compreender 
os conflitos do paciente, pela associao livre e pela interpretao dos sonhos. Quando o 
pacien te  levado ao ponto de tratamento, em que pode aceitar a interpretaao, que o 
analista faz de suas dificuldades, est no caminho da recuperao (Sargent e Stafford, 
1969, p. 248).
Terapia Centrada no cliente (terapia no-diretiVa de Gari Rogers):
As tcnicas diretivas envolvem explanao, direo e controle da vida do paciente e elas 
so muito proveitosas em certas situaes. Mas os psicoteraputas tm observado que nem 
todos se acham realmente capazes de fazer mudanas fundamentalmente em seus 
ajustamentos,
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porque no podem mudar certas coisas em seu ambiente. Para Rogers o papel do terapeuta 
 o de compreender o pensamento e o sentimento do cliente e aceit-lo completamente. Ele 
n interpreta, mas freqentemente traduz ou resume os sentimentos expressados. O objetivo 
do terapeuta  o de encorajar o paciente a ser mais completamente ele mesmo, para 
organizar a si mesmo, de maneira a atingir a auto-realizao. O terapeuta n resolve 
problema algum do paciente, mas providencia uma oportunidade para que ele desenvolva 
seus prprios mtodos de ajustamento. O indivduo, n o problema,  o foco, O terapeuta  o 
orientador; compete ao cliente assumir a responsabilidade da direo e progresso da prpria 
terapia.
Para Rogers, o indivduo, dentro de si mesmo, tem a capacidade e o impulso para curar-se, 
bastando-lhe para isto libertar-se das ameaas que obstam  autocompreenso  auto-
aceitao e  auto-realizao (Telford e Sawrey, 1973, p. 473).
Terapia de modificao do comportamento
Este enfoque psicoterpico tem sua fundamentao terica nos estudos de Pavlov 
(condicionamento clssico) Skinner (condicionamento operante) e nas pesquisas sobre a 
aprendizagem em geral. Parte do pressuposto que todo o comportamento (inclusive o 
anormal) foi a- prendido e portanto, de acordo com as leis da aprendizagem, pode ser 
desaprendido.
Como est implcito na denominao, esta terapia tem por objetivo modificar um 
comportamento, uma resposta. Seu enfoque se volta para as circunstncias, as 
contingncias, as situaes especficas que provocam as respostas inapropriadas. As causas 
remotas, os conceitos e sentimentos s abandonados em favor de um programa objetivo de 
modificao dos comportamentos desajustados.
A essncia desta terapia consiste na manipulao do reforo com vistas  aquisio, 
eliminao ou substituio de uma resposta. As tc nicas utilizadas s as j conhecidas pela 
aprendizagem (condiciona mento clssico, condicionamento operante, moldagem e outras).
As vrias terapias do comportamento tem sido muito bem sucedi das no tratamento de 
desvios sexuais, abuso de lcool e drogas e outras perturbaes da personalidade.
Terapia mdica
por psiquiatras formados em Medicina e que tenham treinamento nessas tcnicas. As duas 
formas mais comuns de tratamento mdico nas perturbaes do comportamento s o choque 
eltrico e a terapia de drogas (Morgan, 1977, p. 246).
Terapia ocupado na!
 a psicoterapia em que o paciente executa uma srie de tarefas, mormente trabalhos 
manuais. O objetivo do tratamento  liberar a pes soa do ambiente em que vive, reativando 
e reequilibrando suas atividades.  uma tcnica correlata a um tratamento de maior 
profundidade.
Terapia de grupo
Existem vrias espcies de terapiaS de grupo. A forma tradicional consiste em reunir um 
grupo de pacientes e fazer com que conversem entre si sob a orientao de um terapeuta. O 
papel do terapeuta  manter a discusso focalizada em certos tpicos sem que ele mesmo 
domine a conversao. Os pacientes conversam sobre seus problemas e os membros do 
grupo comentam a respeito, assim cada um contribui com um pouco de suas experincias. 
O objetivo  ajudar os membros a considerar situaes interpessoais a partir de diferentes 
pontos de vista.
QUESTES
1. O que  psicopatologia?
2. Como se caracteriza o comportamento neurtico?
3. Caracterize o comportamento psictico.
4. Trace um paralelo entre neurose e psicose.
5. Exemplifique duas reaes neurticas.
6. Qual a diferena entre as psicoses funcionais e as psicoses orgnicas?
7. D o conceito de psicoterapia e explique os principais enfoques psicoterpicos.
As drogas, a cirurgia ou outros meios fsicos s recursos empregados para o tratamento do 
paciente na terapia mdica, mas somente
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